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Aviso: Este estudo de caso ainda está em desenvolvimento

OdiN Docs:

O custo oculto da má arquitetura de informação

Mockup do Odin Docs focado em um painel de gestão de arquivos ou tela de assinatura corporativa

Visão geral do produto

O OdiN Docs é um sistema de gestão e assinatura de documentos projetado para os setores de RH e Financeiro de médias e grandes empresas. Este projeto de redesign não foi motivado por estética, mas por uma crise de eficiência: a interface legada havia se tornado o maior gargalo operacional da OdiNetwork, sobrecarregando o time de atendimento com chamados de suporte para tarefas triviais.

O discovery e o sintoma do negócio

A diretoria enfrentava uma dificuldade crônica em escalar o suporte ao cliente. O volume de chamados de nível 1 (dúvidas básicas) era insustentável. Usuários não conseguiam executar atividades primárias, como criar pastas, armazenar arquivos ou preparar o terreno para integrações futuras. A hipótese inicial era clara: a complexidade desnecessária da interface estava custando caro para a empresa.

Pesquisa qualitativa e diagnóstico

Para entender a raiz do problema, conduzi entrevistas em profundidade com os profissionais de RH e Financeiro que utilizavam a ferramenta diariamente. O diagnóstico de UX revelou três falhas estruturais graves:

User Journey Map demonstrando os gargalos antigos e o atalho tomado fora do sistema

Mapeamento do caos

Identificando os workarounds e as quebras de fluxo no sistema legado.

A metodologia: desconstruindo o caos operacional

Para resolver um problema de escala Enterprise, a intuição foi substituída por um rigoroso processo de pesquisa de métodos mistos (Mixed Methods), dividido em 10 etapas fundamentais de diagnóstico, síntese e validação.

1. Alinhamento de negócios

O ponto de partida não foi a interface, mas a dor do negócio. Entrevistas conduzidas com a diretoria revelaram que o suporte técnico dedicava cerca de 40% de sua capacidade operacional apenas para resolver dúvidas de "Nível 1" (como criação de pastas e envio básico de contratos).

"Nosso suporte está apagando incêndios de navegação ao invés de resolver problemas técnicos." — Stakeholder/Diretoria.

2. Auditoria de Dados (Web Analytics)

Para quantificar o problema relatado pela diretoria, mergulhei nos logs de uso do sistema. Os dados revelaram uma taxa de abandono (drop-off rate) de 68% no meio do fluxo de envio de documentos. Os usuários iniciavam o processo, mas a complexidade os impedia de concluir a tarefa.

Gráfico de funil mostrando queda de 68%

O gargalo em dados

Queda abrupta na etapa de "Finalizar envio".

3. Avaliação Heurística

Antes de conversar com os usuários, realizei uma auditoria técnica baseada nas 10 Heurísticas de Jakob Nielsen. Identifiquei 24 violações de usabilidade no sistema legado, sendo a mais crítica a falta de "Visibilidade do Status do Sistema": os usuários enviavam lotes de contratos e o sistema não retornava nenhum feedback visual de sucesso.

Print screen da interface antiga com marcações de erros heurísticos

Auditoria de interface

Mapeamento visual das violações críticas no sistema legado.

4. Observação contextual (shadowing)

Acompanhei silenciosamente a rotina de profissionais de RH operando o sistema. Esta etapa revelou o fenômeno do "Workaround" (Gambiarra): o atrito era tão alto que os usuários perdiam até 15 minutos organizando contratos em pastas locais do Windows antes de fazer o upload para o SaaS em uma única tacada, anulando o propósito de gestão da ferramenta.

User Journey Map linear destacando a frustração do usuário

O fenômeno do workaround

O momento exato em que o usuário abandonava a plataforma.

5. Entrevistas em profundidade

Conduzi sessões de conversas semiestruturadas com gestores financeiros e de RH. A descoberta principal foi emocional e técnica: havia um medo real de cometer infrações jurídicas ou enviar contratos para destinatários errados devido à nomenclatura confusa e ambígua dos botões de compartilhamento.

Cards minimalistas com falas reais dos usuários

A voz do usuário

"Eu nunca sei se o contrato já foi pro cliente ou se está só salvo na minha pasta."

6. Síntese e Diagrama de Afinidade

Compilei mais de 150 insights soltos coletados nas observações e entrevistas. Ao agrupá-los tematicamente, o diagnóstico tornou-se inegável: a raiz da crise não era a falta de funcionalidades, mas uma carga cognitiva extrema e uma arquitetura de informação caótica.

Post-its digitais organizados em clusters temáticos

Do caos à clareza

Agrupamento temático de mais de 150 insights de pesquisa.

7. Card sorting aberto

Para reconstruir a taxonomia (nomes dos menus) do zero, recrutei 15 profissionais de RH para organizarem as funcionalidades como fizesse sentido para eles. Os resultados provaram que 82% dos usuários agrupavam as permissões e envios de uma forma radicalmente diferente da estrutura original desenhada pelos desenvolvedores.

Matriz de similaridade ilustrando o agrupamento de cards

Reconstruindo a taxonomia

Alinhando o sistema ao modelo mental do usuário corporativo.

8. Validação de estrutura (Tree Testing)

Com a nova Arquitetura de Informação desenhada, validei a estrutura da árvore de menus antes de desenhar qualquer tela. A taxa de sucesso dos usuários ao tentarem localizar a função "Criar lote de assinatura" saltou de apenas 34% (no menu antigo) para contundentes 89% na nova proposta.

Diagrama de árvore visual conectando pontos e mostrando o caminho de sucesso

Testando a navegação

Validação quantitativa da nova estrutura antes do design de UI.

9. Teste de usabilidade moderado

Protótipos de alta fidelidade foram submetidos a testes práticos baseados em tarefas. Durante o teste do fluxo de "Envio de Documentos", uma falha valiosa foi identificada: os usuários navegavam com fluidez, mas ainda pausavam no final, ansiosos, esperando uma confirmação do sistema de que a tarefa estava finalizada.

Mockup com mapa de calor sobre o botão de envio

Identificando a ansiedade

Testes baseados em tarefas em protótipos de alta fidelidade.

10. Teste A/B de microinteração

Para mitigar a ansiedade descoberta no teste de usabilidade, elaborei um Teste A/B com duas soluções de feedback: um "Toast" (notificação lateral efêmera) versus um "Modal" central contendo o resumo da ação. O Modal venceu de forma absoluta, proporcionando 100% de clareza, eliminando a insegurança jurídica da operação e marcando a entrega de um fluxo finalmente à prova de erros.

Comparativo lado a lado de um Toast e um Modal central

A Escolha baseada em dados

O Modal central reduziu a ansiedade e garantiu visibilidade de status.

Ideação, validação e a falha necessária

Com os dados em mãos, estruturei os protótipos do novo sistema e parti para os testes de usabilidade, focando no fluxo crítico de envio de documentos.

É na fase de testes que o design prova seu valor: a primeira iteração revelou gargalos importantes. Os usuários ainda apresentavam dificuldade para sair do painel principal e iniciar o fluxo, e a ausência de indicativos visuais deixava-os sem saber se a ação havia sido concluída com sucesso.

Esses insights rápidos permitiram pivotar a navegação global e desenhar microinterações de feedback (visibilidade do status do sistema) antes de repassar o escopo final para a equipe de desenvolvimento, economizando horas de refatoração de código.

Zoom nos detalhes de UI dos novos botões de navegação e componente de feedback de sucesso

O valor da iteração

Ajustes finos de UI baseados em testes que salvaram horas de desenvolvimento.

O Impacto Mensurável

Resultados diretos da pesquisa e do redesign estrutural aplicados à rotina de médias e grandes corporações.

~100% Task Success Rate

Nos testes do fluxo redesenhado de envio e organização de documentos, praticamente a totalidade dos usuários conseguiu concluir a tarefa sem ajuda.

Zero Workarounds Externos

Ao facilitar a gestão interna, os usuários abandonaram a organização em pastas locais no computador, centralizando a operação no SaaS.

Acelerada Curva de aprendizado

A nova taxonomia e arquitetura de informação reduziram drasticamente o tempo de onboarding de novos funcionários.