Em um mundo dominado por vídeos curtos e notificações constantes, reter a atenção do usuário em textos longos através do celular é um dos maiores desafios de design de produto atuais. O Vamolê nasceu para combater o abandono de leitura, criando um ecossistema projetado especificamente para "micro-momentos" — como os 40 minutos de trajeto de ônibus diário.
O Desafio de Negócio: Como desenhar uma plataforma de e-books que reduza drasticamente a fricção na descoberta de novos títulos, incentive a assinatura de planos e, principalmente, ofereça uma interface de leitura tão imersiva que faça o usuário esquecer o ambiente caótico ao seu redor?
Para não criarmos apenas "mais um leitor de PDFs", iniciei o projeto com uma fase aprofundada de entrevistas qualitativas. Precisávamos entender a jornada pendular dos nossos usuários e os motivos reais pelos quais eles abandonavam os livros.
"Eu até tento ler no ônibus, mas a internet cai, o aplicativo trava pra carregar a página e eu acabo abrindo o Instagram por frustração." — Usuária durante a fase de pesquisa.
Com base nas pesquisas, mapeamos nossa persona principal (Beatriz) e definimos três pilares inegociáveis para o produto:
A arquitetura da informação foi desenhada para encurtar a distância entre abrir o app e começar a ler. Durante a fase de wireframes de baixa fidelidade, testamos diferentes taxonomias.
Um pivô importante aconteceu aqui: inicialmente, a biblioteca do usuário e a loja de novos livros dividiam o mesmo espaço. Os testes rápidos mostraram que isso confundia quem só queria abrir o app e continuar a leitura de ontem. Separamos a "Minha Estante" (focada em acesso rápido e offline) da aba "Descobrir" (focada em conversão e exploração).
Com os fluxos validados, o desafio visual era criar uma interface que não competisse com o conteúdo do livro. Construí um Style Guide robusto, focado em legibilidade e redução de fadiga ocular.
A tipografia selecionada possui altos níveis de legibilidade em telas pequenas, e a paleta de cores foi restrita a tons neutros e complementares muito suaves. O Design System final contemplou componentes modulares que nos permitiram escalar o aplicativo para mais de 60 telas consistentes, garantindo um handoff técnico impecável para os desenvolvedores.
Levamos o protótipo de alta fidelidade para testes de usabilidade com usuários reais. Mapeamos tarefas críticas: Cadastro, Login, Favoritar Livros, Download e Gestão da Biblioteca.
Os resultados validaram nossa arquitetura: obtivemos 100% de taxa de sucesso nas tarefas de Cadastro e Assinatura. No entanto, o teste revelou um gargalo de 8.24% de taxa de erro em uma tarefa específica: os usuários tinham dificuldade para ocultar ou excluir livros já lidos da sua estante. Com esse dado em mãos, refizemos a hierarquia visual do menu de contexto (ações secundárias) antes do lançamento, zerando o atrito.
Nos fluxos primários de Cadastro, Login e Assinatura de Plano.
Gargalo de usabilidade na gestão da biblioteca identificado e corrigido através de testes.
Mapeadas e componentizadas dentro do Design System entregue para desenvolvimento.
Desenhar o Vamolê me ensinou que o papel do Product Designer muitas vezes é ser o "curador da interface". Quando o objetivo final é o foco absoluto do usuário, o melhor design é aquele que sai do caminho.
A experiência de resolver o problema do menu com base na taxa de erro de 8.24% também reforçou uma máxima importante: o design nunca está pronto até que o usuário tente usá-lo no mundo real. Muito obrigado por acompanhar este estudo de caso até aqui!